O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira (28) mais uma reunião decisiva para os rumos da economia brasileira. A expectativa do mercado é de um novo corte na taxa Selic — mas em ritmo mais moderado, diante do aumento das tensões no cenário internacional.
Expectativa do mercado
Com o petróleo pressionado próximo dos US$ 100, reflexo direto do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o Banco Central deve manter uma postura mais cautelosa. A projeção predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 14,5% ao ano.
Levantamento com instituições financeiras mostra que a maioria já trabalha com esse cenário como o mais provável para a decisão desta semana.
O caminho até aqui
2024–2025: ciclo de alta leva a Selic ao patamar de 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.
Início de 2026: Banco Central interrompe as altas e mantém juros estáveis por meses.
Março: primeiro corte após dois anos — início de um ciclo mais técnico e cauteloso.
Abril: mercado projeta continuidade do movimento, mas com ritmo controlado.
O Banco Central sinalizou que a política monetária seguirá sendo ajustada com base nos dados — evitando movimentos bruscos diante do cenário externo.
O impacto da guerra
O aumento das tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e trouxe volatilidade adicional aos mercados. O Estreito de Ormuz, responsável por uma fatia relevante do fluxo global de petróleo, tornou-se um ponto crítico de atenção.
Esse cenário reduz a margem de manobra do Banco Central. Com inflação potencialmente pressionada, o ritmo de cortes tende a ser mais lento do que o esperado no início do ano.
Próximos passos
O consenso atual aponta para uma continuidade gradual do ciclo de cortes. Caso o cenário internacional se estabilize, há espaço para aceleração nas próximas reuniões.
Por outro lado, qualquer escalada no conflito pode manter o Banco Central em postura mais conservadora por mais tempo.
O que isso muda para quem opera
A trajetória da Selic impacta diretamente o comportamento dos mercados:
📉 Renda fixa: tendência de redução nos retornos pós-fixados.
📈 Bolsa: juros menores favorecem ativos de risco e empresas mais alavancadas.
💱 Câmbio: cenário externo segue como principal fator de pressão sobre o dólar.
Para o trader, entender esse contexto não é opcional — é o que define o comportamento do mercado nos próximos meses.

